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Audição Parlamentar 04.06.2024

 Audição Parlamentar 04.06.2024

Video da Declaração inicial da CT





Video das duas rondas de perguntas dos deputados à CT



Comunicado nº1_2024

 Audição Parlamentar Privatização ANA

 

Não tendo sido aprovada a Comissão de inquérito sobre o processo de privatização da ANA, em sua substituição e em sede de Comissão de Economia Obras Públicas e habitação foram iniciadas as várias audições, tendo a Comissão de Trabalhadores da ANA Aeroportos de Portugal (CT) sido a primeira a ser auscultada seguindo-se outras ORTs.

Está igualmente agendada a audição de decisores e intervenientes da altura da privatização até aos atuais administradores, podem aceder a toda a informação sobre as audições na notícia cujo link anexamos:

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/trabalhadores-culpam-privatizacao-da-ana-trouxe-por-mais-precariedade-nos-aeroportos

 

De acordo com a regras parlamentares para este tipo de audições, leiam-se tempos rígidos para as intervenções, a Comissão de Trabalhadores ANA dividiu a sua intervenção em quatro pontos:

·        Fazendo incidir a sua intervenção de forma mais incisiva sobre o Fundo de Pensões ANA e tudo o que o envolve;

·        Os cortes que nos foram impostos de 2011 a 2013 e que ao contrário do que estava definido pelo orçamento de estado nunca reverteu para o estado Português, tendo o esforço de todos nós revertido em lucro e entregue ao acionista VINCI, como sempre afirmámos e agora o Tribunal de contas veio confirmar;

·        Abordámos ainda a diferenciação entre o Público e o Privado,

·        Relação institucional entre esta CT e o órgão de gestão.

Em anexo partilhamos a declaração inicial da CT na audição, onde abordámos precisamente estes quatro pontos:

 https://drive.google.com/file/d/1dPQ1lTdyY9WcKSReYjMF3FsuVwbqmuY8/view?usp=sharing

 

A intervenção da CT pode ser consultada na integra no site da Assembleia da República ou no canal ARTV (04/junho/2024):

https://canal.parlamento.pt/?cid=7744&title=audicao-da-comissao-de-trabalhadores-da-ana-aeroportos-e-da-comissao-d

 

Para terminar e fazendo por agora, uma breve declaração sobre o mais recente anúncio do Digníssimo Presidente da Comissão Executiva aos Trabalhadores, a CT enaltece todos os esforços da empresa que acrescentem valor aos benefícios sociais que abranjam todos os Trabalhadores, o que desde sempre tem feito parte do ADN da ANA.

Todavia, tivemos oportunidade de referir, em sede de parlamento, na audição em curso na mesma data hora (que coincidência!)a CT não aceitará, este ou qualquer outro pacote de “benefícios”, que se financie no Fundo de Pensões ANA. O qual, consideramos o nosso benefício mais “Nobre”, o tal que o Secretário de Estado disse, aquando da Privatização, “nada indiciar qualquer alteração”.

Relembramos que aguardamos ainda, o desfecho do processo judicial proposto por esta CT, mandatada pelos Trabalhadores em decisão plenária, tendo o propósito da reposição das contribuições e dos fundos em falta.

A este tema voltaremos o mais brevemente possível, logo que tenhamos em nossa posse os pormenores definitivos desta intenção anunciada pela Comissão Executiva.

Para concluir, importa informar, que a CT, ao contrário do que a lei sugere, não foi auscultada nem participou na elaboração deste pacote apelidado de “flexível”.

 

Comissão de Trabalhadores

05 de junho de 2024



Declaração inicial CT _ Audição Parlamentar Privatização ANA

 

Em 2012, a CT da ANA Aeroportos de Portugal, assumiu publicamente que a privatização da ANA não servia os superiores interesses do País, assumindo-se totalmente contra a privatização anunciada.

Ainda em 2012 e em defesa dos superiores interesses dos Trabalhadores, solicitámos reunião com a tutela e fomos recebidos pelo ex-Secretário de Estado das Infraestruturas, Sr. Sérgio Monteiro, a quem elencamos as nossas preocupações que incidiam, desde logo, na manutenção de todos os efetivos sem qualquer alteração danosa no seu contrato social. Entre outras matérias, referimos apreensão com o Fundo de Pensões ANA, tendo o Sr. Secretário de Estado, afirmado não haver motivos para esse tipo de preocupações, pois não existia nada no contrato de concessão que apontasse a qualquer alteração no Fundo de Pensões ANA.

Em nota de imprensa, referimos, entre outras, a omissão de qualquer salvaguarda dos interesses dos Trabalhadores a opacidade do processo e a inexistência de uma explicação clara para a fixação do prazo da concessão em 50 anos.

Dito isto, importa ressalvar que os bons resultados económicos registados para o acionista privado resultam de:

 

Ponto 1.           As regras de gestão são diferentes entre público e privado.

A ANA, desde a sua criação, sempre foi altamente rentável, sempre entregou religiosamente 70% dos seus lucros em forma de dividendos ao acionista estado. Nos 10 anos que antecederam a privatização, entregou ao estado mais de 525 Milhões de euros e nesse mesmo período efetuou investimentos superiores a 1270 Milhões de euros, valor nada despiciente, se o compararmos ao investimento efetuado no período da concessão, onde a ANA regista resultados fantásticos, fruto de um trabalho coletivo certamente, que não pode, no entanto, ser dissociado do Booom da aviação civil após 2012, com o crescimento exponencial das companhias low-cost e o fim do tabu de aumentar taxas aeroportuárias. Factos estes que coincidiram com o ano da privatização.

Ponto 2.     O aspeto social e normativo no ADN da ANA gestão pública versus gestão privada

O que é que mudou então, na transição do público para o privado do ponto de vista dos Trabalhadores e dos seus Representantes?

Fomos percebendo gradualmente, que o aspeto social e normativo no ADN da ANA gestão pública não era compatível com o mindset, da gestão privada, focada na busca do lucro e retorno económico para o acionista. Gradualmente e à medida, que o modelo de gestão e os seus instrumentos iam sendo introduzidos, o encanto e a alegria, que caraterizavam a esmagadora maioria dos Trabalhadores, a pouco e pouco, foi dando lugar ao desencanto, a magia de outrora foi-se desvanecendo. Mantendo, contudo, o elevado grau de profissionalismo, intrínseco aos Trabalhadores da ANA, aliás como os resultados operacionais bem o demonstram.

ü    A alteração do contrato social, com claras perdas para os Trabalhadores;

ü    A denúncia do Acordo de empresa;

ü    O sacrifício solicitado aos Trabalhadores na redução salarial durante o Covid;

ü    A suspensão das contribuições da empresa para o Fundo de Pensões;

ü    A introdução de sistemas integrados de desenvolvimento em sistemática mutação, centrados na meritocracia subjetiva e não mensurável baseada em curvas e cotas;

ü      Constantes problemas com horários de turnos, resultante de uma clara falta de efetivos na maioria das escalas;

ü    Colmatada em muitos casos com o recurso a outsourcing, para áreas críticas e vitais, por questões meramente economicistas, em detrimento do recurso à contratação de efetivos para os quadros;

ü    A transição de uma formação de excelência, para uma formação generalista que pouco acrescenta;

ü    Massa salarial que aos olhos dos Trabalhadores, não acompanha os resultados operacionais da empresa nem a inflação, só em 2023 a ANA teve receitas recorde de 1.105 milhões de euros, contudo, estimamos uma, perda salarial superior a 6% desde 2022;

Entre outras… serão também estas certamente o motivo, da mudança de estado de espírito dos Trabalhadores, ao ponto de se ouvirem hoje expressões que eram impensáveis ouvir antes, tais como:

ü    Só de pensar que amanhã tenho de ir trabalhar, fico doente;

ü    Não vejo a hora de me reformar;

 

Ponto 3.         O limbo na transição do Público para o Privado

Antes da privatização em 2011 e 2012, integrados no Setor Empresarial do Estado, os Trabalhadores da ANA foram sujeitos à mesma panóplia de cortes imposta aos funcionários públicos, … mesmo não o sendo. Se aos Funcionários Públicos foi imposto um corte de 5%, na ANA e aos seus Trabalhadores, o corte foi de 6,7%.

Estimámos na altura, entre todos os cortes, um valor sacado aos Trabalhadores acima dos 10 milhões de euros. A CT não se teria insurgido, … como se insurgiu, se esses montantes como seria expectável tivessem entrado nos cofres do Estado, e pudéssemos ter colaborado, como todos para o desígnio Nacional. Mas não, esse dinheiro ficou mesmo como uma inevitabilidade nos cofres da Empresa, tendo transitado com a privatização, da esfera pública para a privada, com a total conivência do governo de então e do Conselho de Administração da altura.

Abordado este tema, após a privatização, a VINCI, informou-nos que não operacionalizaria qualquer ressarcimento, que pudesse criar algum mal-entendido junto do Estado Português.

 

Ponto 4.         A perda de cultura democrática e o desincentivo à participação coletiva dos Trabalhadores na CT

Já do ponto de vista da Representação coletiva, e da relação institucional entre esta CT e a empresa, nomeadamente com o órgão de gestão, não podemos deixar de referir, a clara perda de uma cultura democrática outrora existente. Damos igualmente nota, da extrema dificuldade do atual órgão de gestão, em aceitar o contraditório e a divergência de opinião, absolutamente normais no exercício de qualquer ORT, digna, independente e ciente das suas ações na defesa dos Trabalhadores.

Tudo isto se consubstancia atualmente, na inadequação dos meios materiais e técnicos necessários ao exercício das nossas funções, aliás previstos na lei e que sempre dispusemos.

Face ao exposto, e ainda perante limitações que nos são impostas no exercício do direito de informação e consulta, fomos obrigados a apresentar queixa junto da ACT, na tentativa de regularizar o normal funcionamento institucional. Paralelamente vimos negado, o pedido de apoio que efetuámos no Ministério Público. Atualmente os membros desta CT, para exercer o seu direito/dever de participação coletiva, são obrigados a custear do seu bolso, despesas várias, como por exemplo, as suas deslocações e despesas associadas, o que configura, no nosso ponto de vista, uma clara estratégia de desincentivo a qualquer participação futura, em particular das novas gerações.

Para concluir, dar nota de uma opção de gestão, absolutamente danosa para os interesses dos Trabalhadores, a decisão unilateral da Comissão Executiva da ANA, em 2021 de suspender a contribuição da empresa para o Fundo de Pensões ANA. O que levou a CT a interpor uma ação em tribunal tendo em vista a reposição das contribuições e dos fundos em falta. Ressalvamos que, a ação interposta, foi integralmente financiada pelos Trabalhadores em decisão plenária.

Enquanto aguardamos o desfecho e a decisão da juíza relativamente à suspensão, já a empresa prepara novas alterações ao contrato constitutivo do Fundo de Pensões, o mesmo fundo que o Sr. Secretário de Estado disse, em 2012, nada existir que indiciasse qualquer tipo de alteração.

 

Muito Obrigado 

 

Comissão de Trabalhadores

04 de junho de 2024

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